Introdução

Excelente livro, pena que não exista edição nacional.Não existe apenas uma fórmula para manter guppies saudáveis. Processos realmente ou aparentemente diversos podem atingir o mesmo objetivo. As recomendações que seguem são extraídas da nossa experiência ou, na falta dessa, dos ensinamentos de Stan Shubel, em The Proper Care of Guppies. Manutenção é processo e é rotina, o importante é que cada criador formule as suas e se atenha a elas. Se nunca criou guppies, leia a Cartilha do Iniciante, cujo link consta ao rodapé desta página.

 

Aquários

O material mais utilizado em aquários de guppies é o vidro. Normalmente, eles variam entre 20 e 50 litros. Quanto maior o aquário, mais estável, mais fácil de "equilibrar". Por outro lado, mais difícil seu deslocamento, para limpeza ou qualquer outro motivo, além de serem proporcionalmente mais caros, pela maior espessura do vidro. Alguns aquários ou recipientes pequenos podem ser úteis, como hospitais, reduzindo a dosagem de medicamentos, ou na guarda temporária de alevinos. Nunca é demais lembrar que remédios utilizados para curar doenças podem exterminar as bactérias dos filtros biológicos.

Aquario limpoCriadores de guppies costumam utilizar aquários "pelados", sem substrato, sem enfeites e, eventualmente, sem plantas, à exceção de algumas variedades flutuantes. Sabendo que a manutenção de cada linhagem vai exigir, pelo menos, seis aquários, é muito fácil atingir a casa das centenas.

Pintar o fundo dos aquários, pelo exterior, de tinta spray preta, ajuda a enfatizar as cores dos guppies e evita o espelhamento do fundo, que torna os peixes inseguros.

Tampar os aquários, sem que fiquem quaisquer frestas, é uma necessidade imperiosa quando adquirimos guppies de fora. Depois de aclimatados, cabe a cada um decidir o que é menos indesejável, se manter os aquários tampados, com toda a complicação que demanda para o manuseio, ou se os deixar abertos, tendo, eventualmente, a perda de um exemplar importante.

Água

Guppies preferem águas alcalinas, no intervalo entre 6,8 a 8,0, sendo 7,2 o melhor pH. Quando a água natural do criador estiver dentro daquele intervalo, o melhor é que os exemplares sejam gradualmente aclimatados a ele, evitando o emprego de químicos corretivos, que sempre causam variações indesejáveis.

O cloro é mortal em concentrações superiores a 0,5 ppm. Portanto, a água de torneira utilizada nas indispensáveis trocas parciais [TPA] deve ser previamente descansada por 48 ou 72 horas. Somente em emergências devem ser empregados os desclorificantes químicos.

São melhores as águas duras, embora esse seja um parâmetro menos crítico. Mais uma vez, entendemos que a melhor solução é a aclimatação, salvo se a falta de tamponamento for responsável por flutuações exageradas do pH.

É comum os criadores experientes afirmarem que todos os problemas de criação estão relacionados com a água. A maioria dos organismos prejudiciais já se encontra nos aquários, mas não conseguem afetar peixes que se encontrem em um ambiente que lhes proporcione boas condições de saúde. Ao menor sinal de comportamento estranho de seus peixes, a água é o primeiro item a ser verificado.

Filtros

Filtro de esponjaApesar da indiscutível excelência dos filtros externos motorizados, seu custo elevado os torna impraticáveis para a maioria dos criadores. Os mais comuns são os filtros internos, de esponja ou de caixa. O ideal é que haja mais de um filtro por aquário, seja para evitar o enfraquecimento do processo nas limpezas, que podem então ser alternadas, seja para manter "reservas" para estabelecimento de novos aquários. Nossa montagem típica utiliza dois filtros movidos a ar, um de esponja e um externo. Mas há diversos tipos disponíveis.

Os filtros se destinam a realizar três tipos de filtragem, a mecânica, a química e a biológica e todo o criador deve, pelo menos, conhecer o Ciclo do Nitrogênio, para entender o seu funcionamento.

Os filtros precisam ser limpos, normalmente a cada 15 dias, ou com maior frequência, se a taxa de alimentação for elevada. Limpe os filtros de esponja espremendo-os por diversas vezes em um recipiente com água retirada do aquário em que se encontram, retornando-os logo em seguida. Limpe os filtros de caixa trocando a lã perlon que neles se encontra ou apenas retirando a sujeira que estiver nela, com um jato de água. Mantenha o mesmo substrato, sempre que possível, pois nele estarão as colônias de bactérias úteis. Evite realizar simultaneamente a limpeza dos filtros e as trocas de água.

Trocas de Água

Embora os filtros biológicos convertam amônia e nitrito em um composto menos tóxico, o nitrato, este último precisa ser retirado do aquário de alguma forma. A não retirada vai implicar em stress dos peixes, tornando-os suscetíveis a doenças e comprometendo suas funções, de uma maneira geral.

Considerando que as bactérias capazes de converter nitrato são anaeróbicas, o que torna impraticável para aquaristas manter sistemas de remoção biológica, o nitrato é removido mediante trocas parciais de água.

Três parâmetros são considerados nelas: o percentual, a frequência e a taxa de lotação do aquário. O percentual, tipicamente, se situa entre 20 e 50% do volume de água do aquário. Maior o percentual, maior o impacto na biologia do aquário e guppies adultos costumam se ressentir de trocas maiores do que 30%. Portanto, o melhor é aumentar a frequência de trocas, mantendo o percentual em níveis mais baixos. A frequência pode ser de mais de uma vez por dia, em aquários de filhotes, até de uma vez por semana, em adultos. A taxa de lotação do aquário incide diretamente na poluição do mesmo e, logo, na taxa de acumulação de nitrato. Mais peixes, mais amônia, mais nitrito, mais nitrato.

É muito importante tornar as trocas rotineiras, pois assim teremos o nitrato sob controle. Quando "esquecemos" das trocas, o nitrato assume níveis indesejáveis. Há testes para nitrato no comércio, que podem nos auxiliar no reconhecimento das necessidades de cada aquário, de acordo com a sua taxa de lotação. Em princípio, podemos dizer que:

Nível de Nitrato Ação corretiva
0 > 5 ppm Mantenha a rotina de trocas
5 > 10 ppm Aumente a frequência das trocas. Veja a lotação do aquário.
10 > 20 ppm Aumenta a frequência de trocas e a percentagem de troca. Reduza a lotação do aquário, para diminuir a percentagem.
20 > 40 ppm Aumenta a frequência de trocas e a percentagem de troca. Reduza a lotação do aquário.

Toda a água de reposição precisa ser condicionada às condições da que está nos aquários, seja na temperatura, seja no pH.

Realize as trocas gentilmente, nunca derrame água em quantidade no aquário. O melhor é dispor de um recipiente com uma torneira, que possa ser regulada para ficar gotejando no aquário. Aliás, as melhores fishrooms que conheço utilizam sistemas de gotejamento (dripping systems), dos quais mentenho uma espécie de plano piloto, para teste, em minha estufa. Para uma melhor descrição, click aqui.

Aquecimento

O peixe, como todo animal pecilotérmico, é incapaz de regular a temperatura do corpo, adotando a do ambiente em que se encontre. O guppy, sendo um peixe tropical, fica confortável no intervalo entre 20 e 28°C. Variações superiores a dois graus por dia podem estressar, variações súbitas de cinco graus ou mais podem matar.

Na maior parte do território de nosso país, é necessária alguma forma de aquecimento no inverno. O mais prático, salvo em estufas com dezenas de aquários, é instalar termostatos comConjunto de aquários aquecidos aquecedores elétricos. Para estes, a regra básica é de um grau por litro de água, pois que serão suficientes para manter a temperatura desejada, sem variações bruscas.

Um mesmo termostato pode ser empregado para estabilizar diversos aquários, desde que não se exceda o limite de sua capacidade, que, nos mais comuns, é de 300 watts Como exemplo, podemos ter um termostato para cada conjunto de seis ou sete aquários de 40 litros, desde que estejam com o mesmo nível de água. Claro está que isso vai exigir um maior controle, pois que uma falha de funcionamento de um aquecedor, principalmente do que estiver no mesmo aquário do termostato, pode desestabilizar todo o sistema.

 

Quando os aquários são muitos, é preciso considerar a conveniência de aquecer o ambiente, não os aquários. Em nossa estufa, adotamos o aquecimento por aquecedores elétricos, de óleo, acionados por controladores de temperatura da full gauge. É um sistema de baixo custo de aquisição, seguro, e de custo operacional bem menor do que os de aquecedores individuais. Para reduzir os custos, nossa estufa é completamente forrada de isopor com 5 cm, revestido de forro de pvc, isso nas paredes e no teto.

Iluminação

AOC LeopardoOs peixes são pouco exigentes quanto à iluminação. A regra geral é manter as luzes acesas por umas doze horas diárias, preferencialmente de luz fria, o que é muito fácil com as modernas fluorescentes compactas. Caso se observe uma "explosão" de algas verdes, esse período pode ser diminuído temporariamente, juntamente com outras providências como reduzir a taxa de alimentação e aumentar a frequência das trocas parciais. Para os que mantém plantas, o assunto pode se tornar verdadeiramente complexo, na escolha dos melhores sistemas de iluminação, no que tanto podem ajudar as listas de discussão sobre aquarismo, como também os próprios fabricantes, que fornecem literatura e projetos gratuitamente.

Shubel recomenda, em sendo possível, manter uma luz de baixíssima potência acesa na sala de peixes, para que os peixes não deitem no fundo dos aquários, o que fazem quando totalmente escuro, e também para que no acendimento das lâmpadas normais, os peixes não tenham um choque - podendo saltar do aquário ou bater nas bordas.

O melhor é manter o sistema de iluminação acionado por um timer, que é barato, e regula o fotoperíodo de modo organizado.

Plantas

Plantas auxiliam no processo de filtragem, consumindo fosfato e amônia. Por outro lado, a retirada do dióxido de carbono, pela fotossíntese, é compensada pela respiração, na falta de luz, à noite. Além disso, partes de plantas em decomposição deterioram a qualidade da água.

Samambaia D'ÁguaA planta adequada para aquários de guppies é a Samambaia D'Água (Ceratopteris thalicroides). Como ela viceja em condições ótimas para os guppies, serve como um indicativo da qualidade da água, além de retirar dela compostos indesejáveis. Se as Samambaias D'Água estiverem bem, os guppies também o estarão. Mais do que isso, ela serve de esconderijo para os filhotes, tanto na sua forma enterrada, quanto na forma flutuante.

Para tornar mais prático o seu cultivo, os criadores costumam plantá-la em copos de vidro com substrato, de modo que seja mais fácil de limpar.

Nunca introduza plantas em seu aquário sem uma prévia quarentena. Além de organismos causadores de doenças, podem conter em suas raízes ovos de filhotes de besouro ou libélula, que se transformam em verdadeiros "dragões" aquáticos, capazes de dizimar os peixes.

Substrato

Caso resolva utilizar substrato ou mesmo colocar pedras decorativas no aquário, procure verificar se não é acidificante, o que pode ser feito pingando ácido clorídrico ou algum acidificante sobre eles. Se formar uma efervescência, evite.

Perturbações

Luz demasiado intensa ou piscando, barulho, movimento excessivo de pessoas em torno dos aquários, introdução de objetos neles, etc... podem estressar os peixes. Evite movimentar peixes entre aquários, mas quando for necessário assegure-se de dispor de todo o material necessário antecipadamente. Manipule-os gentilmente e no menor tempo possível.