Histórico

Viajando pela Internet, descobri que os criadouros avançados de discos e bandeiras nos Estados Unidos da América utilizavam sistemas de gotejamento para o melhor desenvolvimento de filhotes. Decidi, então, montar um "plano piloto" em minha sala de peixes, onde pudesse testar o resultado, bem como as adaptações necessárias, visto que não há, que eu saiba, fornecedor nacional desse tipo de equipamento.

Minha primeira preocupação, foi a de encontrar os gotejadores. Iniciei procurando entre fornecedores de sistemas de irrigação, em que há dispositivos para liberação de uma quantidade predeterminada de água por hora, para plantas. Ainda que os tivesse encontrado, a pouco mais de um dólar a unidade, não me parecerem adequados pela inflexibilidade de fluxo.

Discutindo com minha cunhada, médica, lembramos dos equipos de soro, em que uma bureta (pequena torneira) determina a quantidade de gotas por minuto e, assim, o fluxo adequado. O plano piloto, com quatro aquários de 30 litros, alimentados por uma "bombona" de água mineral de 20 litros, foi estabelecido com esses equipos, que adquiri em farmácia por centavos de real, cada um. O processo de gotejamento funcionou bem, tendo a capacidade de regular de forma diferente o fluxo em cada aquário. Descobri, depois, que se houver reaproveitamento da água, total ou parcialmente, essa regulagem, ao ponto de eliminar um ou mais aquários do sistema, é importante na suspeita de doenças, por exemplo.

O gotejamento, em si, consiste na liberação regulada de água nova, que "pinga" constantemente nos aquários do conjunto. Isso trás muitas vantagens, tais como a inexistência de choques de temperatura, choques de pH, etc... e a manutenção permanente da qualidade da água. Ele implica, necessariamente, em alguma forma de escapamento do excesso de água provocado. Em síntese, então, o sistema de gotejamento é constituído de um dispositivo de enchimento de aquários, com o correspondente esgotamento de uma igual quantidade de água.

A água esgotada poderá ser descartada ou submeter-se a um processo de recirculação, após filtragem.

No esgotamento, desisti logo de utilizar sifões, por não ter confiança em seu funcionamento ininterrupto. Assim, comprei uma broca própria e fiz furos nos aquários, na altura da linha d'água. A broca que adquiri foi de 10 mm. Em cada furo, inseri, justa, uma mangueira plástica transparente do mesmo calibre, com parede grossa. Não funcionou, em virtude da tensão epitelial da água, que exigia mais pressão, do que a gerada pela pequena altura restante no aquário, para que iniciasse o vazamento.

Melhorou quando eu comprei mangueiras com paredes mais finas, em que o furo, por consequência, era maior. Mesmo assim, ainda ocorria uma elevação do nível de água do aquário, acima do furo, deixando pouca parede, para segurança dos peixes, quando a saltos, etc...

Mantive o sistema em funcionamento, com os aquários tampados, com bom resultado para os peixes, todos filhotes, trocando 40% da água por dia, ou seja, enchendo as bombonas pela manhã e pela tarde. A água vasada era totalmente eliminada. O desenvolvimento dos filhotes foi muito bom, nenhuma doença, níveis de amônia e nitrito, indetectáveis.

Meu segundo sistema

Depois de muito tempo com o sistema funcionando na forma descrita, quando inaugurei minha nova estufa, e desmontei todas as prateleiras que mantinha em outro lugar, resolvi fazer um sistema mais definitivo.

Aquários

Sistema de Gotejamento

São 24 aquários, de 27 litros. No total são 600 litros . Eles ficam, lado a lado, na prateleira inferior, a 70 cm do solo.

Resevatórios

São dois reservatórios ao nível do solo, na parte inferior desse prateleira, uma caixa de água de amianto, retangular, de 500 litros, na qual está instalado um filtro Millennium 3.000, interligada a uma caixa cilíndrica de fibra de vidro de uns 100 litros, onde há brita e anéis de cerâmica. A água em excesso verte dos aquários para a primeira caixa, por onde sai ao nível do fundo, para entrar, também ao nível do fundo, no reservatório cilíndrico.

Gotejadores

Os gotejadores, atualmente, são torneiras plásticas pequenas, adaptadas em Ts de pvc. Esses Ts são interligados com segmentos de cano de pvc de 20 mm, de tal forma que cada torneira caia, exatamente, no meio da largura de cada aquário, na sua parede frontal. O cano é aberto em uma das extremidades e fechado por um "cap" na outra.

Esgotamento

Os aquários são furados na parte traseira, a 1,5 cm da borda. Os furos têm 10 mm, por ser esse o calibre da broca deMontagem do aquário no gotejamento que eu dispunha. Cada aquário tem colado com araldite um "joelho" de pvc de 20 mm na parte de fora do furo. Nesse joelho é introduzido um pedaço de cano de pvc de 20 mm para que a água seja conduzida por quase toda a altura do aquário, evitando que se espalhe.

Todos os canos vertem em uma calha de cano de pvc de 50 mm (serrado ao meio e com "caps" nas extremidades), por onde a água corre para cair na primeira caixa d'água.

Alimentação

Na caixa de fibra citada em Reservatórios, está instalada uma bomba submersa com vasão de 1600 litros, vasão essa que se reduz, pelo desnível de 60 cm para algo como 1000 litros por hora. Essa bomba está interligada, por uma mangueira flexível, com uma das extremidades do cano em que estão as torneiras.

Em nível superior ao do cano com as torneiras, há um retorno, para permitir que seja feito ajustameto de fluxo, para menor do que o produzido pela bomba, sem forçá-la. Quando algum ou vários dos aquários tiverem o fluxo desligado ou reduzido, a água excedente retornará diretamente ao reservatório de onde saiu, turbilhonando-a.

Segurança

Quando há peixes pequenos nos aquários, uma pequeno recorte de tela de mosquiteiro é fixada com prendedores de roupa por sobre o furo do aquário, evitando que os peixes sejam levados para os reservatórios juntamente com a água.