Introdução

Nos aquários, como na vida, "o essencial é invisível para os olhos". Água limpa não é sinônimo de água boa. Pelo contrário, água limpa demais, tal como as destiladas ou da chuva, são inadequadas para os peixes. Lamentavelmente, oxigênio, cloro, pH, dureza, amônia, nitrito e vários metais dissolvidos são indetectáveis, senão por testes específicos.

Aquaristas experientes, passada uma fase inicial de curiosidade, costumam prescindir desses Oxigênio dissolvido em ppm testes, seja pelo seu custo, seja pelo desconforto de aplicá-los a múltiplos aquários. Como então conseguem manter seus peixes saudáveis? Muito simples, pelo entendimento da biologia do aquário, da interação dos múltiplos parâmetros da água e, basicamente, pela observância de rígidas rotinas destinadas a aprisioná-los dentro de faixas adequadas.

Filtragens

A mais óbvia das formas de filtragem é a filtragem mecânica, ou seja, a realizada pelas sucessivas passagens da água por uma tecido ou qualquer elemento que remova partículas em suspensão, tal como o perlon. Serve bem para manter a limpidez, a transparência, mas não atua sobre os parâmetros importantes. Necessária, mas insuficiente, é o que podemos dizer a seu respeito. Embora também seja uma filtragem mecânica, a osmose reversa, dada as características especiais em que se realiza, não se enquadra neste tipo.

A filtragem química é a realizada por um meio que modifique algumas características da água, tal como o carvão ativado, na sua capacidade de adsorção, ou por resinas, tais como os zeólitos removedores de amônia ou outras.

A filtragem biológica é, sem dúvida, a principal forma de condicionamento da água dos aquários, por atuar diretamente no ciclo do nitrogênio, através da ação de colônias de bactérias. Reconhecer a mecânica e os fatores que afetam este tipo de filtragem é talvez o mais importante conhecimento, indispensável, para qualquer aquarista que pretenda ser bem sucedido.

Há outros recursos para condicionar a água dos aquários, tais como o ozônio e os filtros ultra violeta.

O Ciclo do Nitrogênio

A introdução de peixes e plantas no aquário, um ambiente artificial, inicia um processo natural, denominado Ciclo do Nitrogênio, que se acentua com o fornecimento de alimentos.

Os peixes, ao respirar oxigênio retornam ao aquário, principalmente, dióxido de carbono (o gás que faz bolhas em refrigerantes) e compostos nitrogenados, principalmente amônia. O CO2 é eliminado pela aeração natural da superfície da água, que pode ser ampliada não pelas bolhas, mas pelo movimento que as bolhas em ascensão realizam na superfície ou, durante o dia, através da fotossíntese de eventuais plantas ali contidas.

Já os compostos nitrogenados serão apenas removidos por colônias de bactérias que surgem naturalmente e que os convertem em elementos menos tóxicos. O processo inicia pela transformação de detritos (fezes, urina, restos de alimentos, plantas em decomposição) em amônia. A amônia é estressante e mortal, dependendo da espécie de peixe, em concentrações superiores a 0,5 ppm. Mas, as nitrossomonas as decompões em nitrito, também mortal, do que se encarregam as bactérias nitrobacter, transformando-o em nitrato, pouco tóxico.

Normalmente, a filtragem biológica termina com o nitrato. Pois que as bactérias queciclo do nitrogênio poderiam processá-lo são anaeróbicas e são muito sofisticados os dispositivos para a sua eliminação, tais como o "plenum". Os aquaristas, assim, removem o nitrato através de trocas de água periódicas, indispensáveis. Plantas também consomem o nitrato, mas normalmente não são bastantes para processar todo o volume produzido. Exceção a esta afirmativa são os "filtros de plantas" adotados por criadores profissionais, em que superfícies até maiores do que as dos tanques de peixes são reservadas para plantas flutuantes, tais como o aguapé, para realizarem a filtragem.

O gráfico apresenta um caso hipotético do Ciclo do Nitrogênio, em que se pode observar o período de ação dos diversos elementos. Casos reais particulares poderão ser diferentes, seja na intensidade da formação dos compostos, seja no tempo de formação das colônias e da eliminação dos tóxicos. O propósito do gráfico é demonstrar que o ciclo do nitrogênio é um processo demorado e até que se equilibre. é necessário controlar os compostos tóxicos através de um regime mais intenso de trocas de água, digamos de 10 % ao dia.

Há dois fatores relevantes na filtragem biológica: a intensidade de fluxo e o tempo de passagem. O primeiro, estabelecido na prática em termos de volume total do aquário por hora, deve ser de algo como três a cinco vezes. O segundo depende da capacidade do filtro em relação ao volume de água no aquário. Digamos que o aquário a ser filtrado tenha 60 litros: para que o fluxo seja adequado deverão ser bombeados entre 180 a 300 litros por hora, para que o tempo de passagem seja de 5 minutos, o filtro terá entre 15 a 25 litros.