Profilaxia

É possível evitar muitas doenças, simplesmente fornecendo boas condições aos peixes. Há algumas regras adicionais que também contribuem:

Doenças mais comuns

Ictio

Sinais: pequenos pontos brancos de cerca de 1 mm na pele e nadadeiras.

Causa: protozoário ciliado Ichthyophthyrius multifilliis. O parasita cumpre um ciclo de vida que envolve uma primeira fase de reprodução por divisão celular fora do peixe, geralmente no substrato; depois disso, os novos parasitas formados saem do substrato e procuram um hospedeiro para parasitar, sendo que tem que fazê-lo dentro de um determinado tempo, senão morrem. Encontrando um peixe, instalam-se nas camadas epiteliais superficiais (pele e/ou brânquias), nelas se nutrindo de fluidos corporais. Depois de algum tempo abandonam esse hospedeiro para se reproduzir, reiniciando o ciclo. A velocidade do ciclo é determinada pela temperatura da água, quanto mais quente, até certo limite, mais rápido. A cerca de 28°C leva cerca de 5 a 7 dias. Quando a temperatura é constantemente maior ou igual a 31°C, o protozoário fica naturalmente impedido de se reproduzir.

Tratamento: Manter o aquário naquela temperatura (31°C) por 7 a 10 dias. Não existe forma encistada desse protozoário, portanto uma vez eliminado do ambiente, mesmo com quedas bruscas de temperatura não ocorrerá novo surto de íctio. Para peixes que não toleram tal temperatura, pode-se tratar com sal, 1g / litro por 7 dias a 28°C. Usar medicamento específico, se for o caso. (extraído de uma receita de Vladimir Xavier Simões).

Fungos na boca

Sinais: Uma camada branca, tal como algodão, na boca e ao longo das extremidades das nadadeiras. Nos guppies, especialmente, as nadadeiras se tornam franjadas.

Causa: Uma bactéria, Flexibacter columnaris.

Tratamento: Casos leves podem ser tratados com sal. O tratamento tradicional consiste em, primeiro realizar um significativa troca de água para melhorar as condições desta, depois dissolver 2 mg/l de Permanganato de Potássio diretamente nela, observando-a para que se assegure que permanece rosada por quatro horas. Caso a água se torne marrom, devido a elevada carga orgânica, antes de completar as quatro horas, mais 2 mg/l de permanganato devem ser adicionadas. Isso é repetido até que a cor rosada seja mantida por todo o período.

Cauda Rôta

Sinais: Cauda desfiada com uma listra esbranquiçada ou escura nas extremidades.

Causa: Há outras formas de cauda rota, por outros motivos. Neste caso, a origem são bactérias, Pseudomonas, Aeromonas, mais comuns, ou outras.

Tratamento: Imediata melhora das condições da água. Tratamento químico com permanganato de potássio (KMnO4) na base de 2 a 4 ppm (miligramas por litro) são bem sucedidos quando a infecção é limitada à pele. Esse tratamento é de grande utilidade quando os peixes estão se alimentando pouco ou nada, quando ração medicinal não é mais uma opção. Infecções sistêmicas somente podem ser tratadas com ração medicinal, tal como a Alcon Cure, mas para tanto é necessário o diagnóstico precoce, antes que a doença o faça parar de comer.

Tratamento Alternativo: (1) Retire o peixe do aquário, com uma rede. (2) Mantenha-o por sobre uma lâmina de vidro umedecida, com a rede por cima de seu corpo, para fixá-lo. (3) Incline a lâmina de vidro, colocando algo abaixo dela, de forma a elevar a cabeça do guppy, impedindo que o remédio corra para as guelras. (4) Aplique o remédio, tal como mercúrio cromo, com um cotonete, ao longo da parte rota, de um lado, e invertendo a posição do guppy, do outro, procure atingir toda a cauda com o remédio. (5) Caso o remédio atinja as guelras, retorne imediatamente o peixe ao aquário. (6) Se não houver comprometimento das guelras, aguarde vinte segundos, então devolva o guppy. (7) Quando o comprometimento for extenso, maior do que 5% da superfície da cauda, corte a parte afetada com uma gilete ou estilete e depois siga a partir do item 4. Melhore as condições da água.

Tuberculose dos Peixes

Sinais: Emagrecimento do peixe, que fica com a barriga retraída, embora continue a se alimentar.

Causa: bactéria Mycobacterium spp.

Tratamento: Normalmente irreversível. Temos como principal atitude a prevenção, oferecendo no mínimo uma alimentação variada e de boa qualidade, caso seja identificada a presença de peixes contaminados no aquário, o isolamento ou a eliminação de todos suspeitos seria talvez o único meio de evitarmos uma epidemia. As condições de higiene do aquário deverão ser controladas. Algumas recomendações seriam: se possível baixar à temperatura a 25° a 20°C ou eleva-la à 30° a 32°C, fornecer uma forte aeração, uma boa filtragem, retirar todas as matérias em decomposição, dando luz suficiente e se possível submetendo a água à ação dos raios UV e alimentação reforçada de preferência ricas em proteínas (alimentos vivos).

Doença das Guelras

Sinais:Respiração ofegante, áreas nuas na cabeça, movimentos bruscos da boca; parasitas incolores nas guelras. Há movimentos acentuados dos opérculos, respirando o peixe com dificuldade na superfície, ou respirando por uma só guelra, mantendo a outra fechada.

Causa:Dactylogyrus

Tratamento: Formalina . Utilizar uma dosagem de 10 a 20 ppm, de formalina a 37% (uma ou duas colheres de sopa para cada 40 litros). Optar pela dosagem mais baixa quando os peixes estiverem muito debilitados. Colocar os peixes em aquário hospital, para evitar que as bactérias dos filtros sejam afetadas pelo remédio. Fazer uma troca parcial da água, de 25%. Remover carvão ativado dos filtros do aquário hospital, se tiver. O aquário original deve permanecer sem peixes por um período de 4 dias, para assegurar que a infestação expire. O tratamento pode ser renovado a cada 24 horas, incluindo a troca de água, até que os sintomas desapareçam. Veja receita de patê para tratamento alternativo ou complementar.

Girodactilose

Sinais:Respiração ofegante, avermelhamento de algumas partes do corpo, esmaecimento de cores, nadadeiras rasgadas. Há movimentos acentuados dos opérculos, respirando o peixe com dificuldade, esfregando-se em objetos do aquário.

Causa:Gyrodactylus

Tratamento: Formalina . Utilizar uma dosagem de 10 a 20 ppm, de formalina a 37% (uma ou duas colheres de sopa para cada 40 litros). Optar pela dosagem mais baixa quando os peixes estiverem muito debilitados. Colocar os peixes em aquário hospital, para evitar que as bactérias dos filtros sejam afetadas pelo remédio. Fazer uma troca parcial da água, de 25%. Remover carvão ativado dos filtros do aquário hospital, se tiver. O aquário original deve permanecer sem peixes por um período de 4 dias, para assegurar que a infestação expire. O tratamento pode ser renovado a cada 24 horas, incluindo a troca de água, até que os sintomas desapareçam

Parasitas Intestinais

Sinais: Emagrecimento, fezes esbranquiçadas. Eventualmente, vermes podem ser vistos pendurados no ânus

Causa: Capilaria ou Camallanus

Tratamento: Difícil. No site Guppy on LIne, do criador Carlos Beserra, você pode encontrar receitas de patês medicinais, destinados a eliminar esses parasitas.

Pele Esbranquiçada

Sinais: respiração problemática e o comportamento do peixe em se esfregar em partes mais duras, estremecimento e intervalos menores de abertura e fechamento das barbatanas, forte e consistente turvação da pele, com sangramento nas feridas e enfraquecimento dos peixes.

Causa: Chilodonella sp,: protozoário ciliado que causa manchas pouco maiores (transparentes-esbranquiçadas) de até 3cm de diâmetro na pele do peixe. Trichodina sp : protozoário ciliado, ou Costia sp, protozoário flagelado,

Tratamento: O mesmo da doença das guelras, acima.

Mancha Branca

Sinais: Mancha esbranquiçada por despigmentação, no dorso do peixe, como uma faixa. Peixe quieto, repousando no fundo.

Causa: protozoário ciliado Tetrahymena. É altamente contagiosa.

Tratamento: Não se conhece tratamento efetivo. Carlos Beserra fez uma pesquisa internacional a respeito. O peixe vai morrer, sendo melhor sacrificá-lo.

Envenenamento

Sinais: O peixe permanece logo abaixo da superfície da água, respirando forçado, mesmo que a filtragem e aeração estejam funcionando bem. Algumas vezes, o peixe corre pelo aquário, erraticamente.

Causa: Envenenamento por metais tal como o cobre (canos, excesso de algicida) ou amônia ou nitrito.

Tratamento: Em casos agudos, troque metade da água, imediatamente, repita após 12 horas, se necessário. Determine a causa.

Carvão ativado

Enquanto estiver medicando, deve ser interrompida a filtragem com carvão ativado. Após o tratamento, ele será útil para retirar os medicamentos remanescentes no aquário.

Sacrificar Peixes

Caso um peixe tenha que ser sacrificado por estar incuravelmente doente, há dois métodos recomendados para que não sofra desnecessariamente. O primeiro é lançá-lo em água fervente, o segundo fazer uma incisão com lâmina afiada logo após a cabeça, seccionando a espinha dorsal.

Sintomas de Problemas

SINTOMA
POSSÍVEL CAUSA
TRATAMENTO
respirando na superfície Deficiência de oxigênio por falha de filtro ou de aerador trocar imediatamente metade da água, consertar o filtro ou aerador
Doença das guelras vide acima
Água muito quente desligar aquecedor, deixar retornar à normalidade, gradualmente.
coçando em objetos no aquário Doença das guelras vide acima
Ictio vide acima
Pele esbranquiçada vide acima
girando na água Pele esbranquiçada vide acima
Cauda Rota vide acima
emagrecido Doença intestinal vide acima
Tuberculose vide acima
corridas loucas no aquário Envenenamento vide acima
Parasitas na pele vide acima
incapacidade de nadar normalmente ou deitado no fundo Problemas com bexiga natatória forneça dieta variada, verifique condições da água, faça troca parcial
barbatanas franjadas Cauda rota vide acima
Ictio vide acima
Outros peixes, agressivos retire os peixes
Não quero incorrer em exercício ilegal de Medicina Veterinária. Só estou mostrando o que compilei em sites semelhantes, na Internet. A verdade é que poucos profissionais se dedicam a peixes ornamentais, campo muito restrito. Em vista disso, precisamos ter alguma base para agir em casos de emergência.
Criadores profissionais costumam utilizar a formalina para curar a maioria das moléstias comuns aos peixes ornamentais.
Nunca é demais valorizar a necessidade de um aquário hospital, pequeno, sem filtros, em que possa haver não apenas a segregação dos enfermos como também economia de medicamentos.
Profilaxia é o melhor remédio. Leia o nosso artigo sobre stress. Os remédios não curam os peixes, apenas bloqueiam os patógenos, para que eles se curem.

 

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